2012- março – abril

Residência Artística no espaço Companhia Olga Roriz-

Maíra Santos com a colaboração de Adelaide Rodrigues

O objetivo dessa residência foi continuar pesquisando acerca da dança e possíveis interações com a música e o cinema; bem como a aplicação de uma abordagem somática no processo da criação coreográfica.

Questões

Como a música e sonoridades influenciam a dança sem ser usada de modo descritivo?

Qual é o diálogo que pode se estabelecer?

Como interpretar essas formas de arte quando se apresentam juntas?

O que é criar hoje em dia?

Investigação

Observar como a abordagem do movimento autêntico pode guiar o movimento, e ser usado como uma fonte para a criação de movimentos; observar os tipos de inputs que os filmes escolhidos, textos, músicas e sonoridades podem dar ao movimento; descobrir as leis e princípios do movimento dentro do corpo do bailarino e em relação ao espaço; explorar uma abordagem teatral para gerar movimentos; explorar movimentos que evocam imagens (artes visuais); explorar um material informal: movimentos cotidianos, gestos, movimentos primitivos.

Por onde começamos

O projeto, O Cinema, a Dança e a Musica: Pesquisa de Linguagem e Composição Coreográfica, teve seu primeiro bloco em 2011, no Cem-Centro em Movimento e no espaço Seu Vicente. Dessa primeira etapa deu-se forma um vídeo-dança realizado no Cais das Colunas, Lisboa, em colaboração com: Lisani Albertini e Fábio Cristo.

O segundo bloco aconteceu em 2012, entre os meses fevereiro a abril no espaço da Olga Roriz e na Casa do Brasil de Lisboa. A investigação foi concentrada em sessões de Movimento Autêntico com filmagem e observações do parceiro de improvisação (testemunha), através da análise Laban/ Bartenieff em Movimento (LMA) e a reconstrução criativa. Tratam-se de métodos que são baseados em estruturas abertas que estimulam e permitem a troca e a transformação de padrões, de estados e de experiências segundo leis do movimento (Ciane Fernandes, 2010). A utilização do vídeo durante os ensaios teve como objetivo garantir a lembrança e a retomada de movimentos inusitados, muitas vezes fora dos nossos padrões ou tendências, para uma posterior análise e sua reconstrução somática e técnica.

Dessa investigação e da exploração dos movimentos foi criado um vocabulário da dança pelos bailarinos por meio da improvisação, usando seus próprios backgrounds e habilidades físicas. Procurou-se por novos movimentos, e pelas relações entre o dentro e o fora, com olhos fechados e olhos abertos, músicas, sonoridades e o silêncio. Desse processo tomou forma um solo e este dueto, ainda no formato de work in progress: realizado em colaboração com a bailarina Adelaide Rodrigues e com o olhar externo de Yehonatan Gourvitch.

 

Estudo para dois

“As Histórias não têm desfecho” (Alberto Dines)

“O desconhecido vicia” (Fuazi Arapi)

“A experiência de viver fora e dentro do país, da língua brasileira, vai ou não nessa tristeza, mesmo a cena, vai ou não nessa tristeza. A tristeza arquetípica tropical que gente repulsa/abraça, repulsa/abraça”. (de André Bueno para Maíra Santos)

Conceito/ Coreografia/ Figurino/ Dramaturgia: Maíra Santos

Parte na criação/ Coreografia: Adelaide Rodrigues

Intérpretes: Maíra Santos e Adelaide Rodrigues

Fotografia: Filipe Dores/Olhar externo: Yehonatan Gourvitch

Agradecimentos: Olga Roriz, Pedro Quaresma, Teresa Brito, Yehonatan Gourvitch, Casa do Brasil de Lisboa, Fábio Cristo, Lisani Albertini, Luis Conde, André Bueno.

Biografias

Maíra Santos nasceu em São Paulo, Brasil. Bailarina e Antropóloga. Formou-se em danças brasileiras e contemporânea nos contextos formal e não formal. E entre as duas, Antropologia pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Dedica-se a pesquisa dos seguintes temas: iniciação em dança contemporânea (crianças e adultos com ou sem deficiência), ensino-aprendizagem geradores de processos criativos, enfoque técnico e abordagens somáticas aplicadas à dança e ao movimento. De 2003 – atual: pesquisa de movimento e pedagogia da Cia.à Fleur de Peau (Namura & Bugdahn. De 2007- atual: treinamento do Método DanceAbility com o próprio criador Alito Alessi.

Adelaide Rodrigues nasceu em Braga, Portugal. Bailarina. Iniciou sua formação na dança em 2010 em Braga e Lisboa com o estudo da dança clássica, hip hop, ragga jam e dança teatro. Foi aluna de Peter M. Dietz, Bruno Amarante, entre outros, Wagner Kosick. Atualmente é aluna do projeto Ano Zero, promovido pela Escola Superior de Dança. Desde o começo do ano de 2012 vem também freqüentando as aulas do Espaço da Companhia Olga Roriz. Participou recentemente da performance A Fábrica dirigida pela coreógrafa Marina Fragioia e de outros projetos na área do teatro.